Quanto do salário dá pra gastar com aluguel sem apertar o mês
O aluguel subiu quase 9% em um ano, mais que a inflação. A regra dos 30% ajuda a saber quanto cabe no orçamento, se você contar o custo certo. Veja como calcular.

Nos últimos doze meses, o aluguel residencial subiu quase 9% no país, segundo o índice FipeZAP. É mais que o dobro da inflação medida pelo IPCA no mesmo período. A conta da moradia está pesando mais rápido do que a renda da maioria cresce, e a pergunta "quanto do meu salário dá pra comprometer com aluguel" deixou de ser teórica.
A resposta que mais circula é a regra dos 30%. Ela ajuda, mas do jeito que a maioria aplica, engana. Vamos ao número real.
A tese em uma frase: os 30% são uma linha de partida, não uma lei da natureza. O que decide se o aluguel cabe não é a regra, é quanto a moradia inteira come da renda que de fato entra na sua conta.
A regra dos 30%, sem misticismo
A recomendação clássica é simples: o custo total de morar não deveria passar de 30% da sua renda. O detalhe que quase todo mundo ignora está em "custo total". Não é só o aluguel.
Numa renda de R$5.000, os 30% dão R$1.500. Só que esse teto precisa caber aluguel, condomínio e IPTU juntos, não só a linha do aluguel. Se o apartamento de R$1.400 tem R$600 de condomínio, você já está em R$2.000, bem acima do limite, mesmo com o aluguel "dentro da regra".
Por que 30% e não 50%? Porque o que sobra depois da moradia é o que paga comida, transporte, saúde e ainda deixa margem pra guardar. Quando o aluguel avança sobre esse espaço, é o resto que aperta.
O erro de olhar só o valor do aluguel
Morar tem um custo fixo que vai muito além da primeira linha do contrato:
- Condomínio, que em prédio com estrutura pode chegar perto do próprio aluguel.
- IPTU, às vezes diluído em parcelas que você esquece que existem.
- Seguro incêndio, obrigatório na maioria dos contratos.
- Água, luz, gás e internet, que sobem junto quando o imóvel é maior.
Somados, esses itens transformam um aluguel "de R$1.400" num compromisso mensal bem mais alto. É esse número cheio que precisa passar no teste dos 30%.
30% da renda bruta ou da líquida?
Prefira a líquida, o valor que de fato cai na sua conta. Calcular sobre o salário bruto infla o teto com um dinheiro que você nunca vê, porque foi pra imposto e desconto. Se a sua renda é variável, use a média dos últimos meses e seja conservador: no mês fraco, o aluguel continua o mesmo.
Depois que a moradia está definida, a regra 50/30/20 ajuda a organizar o que sobra da renda entre necessidades, desejos e poupança.
Onde o Optio entra
O aluguel é, pra maioria das pessoas, o maior gasto fixo do mês. E é justamente o tipo de gasto que a gente decide uma vez e carrega por anos. Errar aqui custa caro e demora a corrigir.
O Optio conecta suas contas via Open Finance (conexão segura e regulada) e mostra, em cima do que realmente entra e sai, qual fatia da sua renda a moradia já ocupa, somando aluguel, condomínio e as contas da casa que costumam ficar espalhadas. Em vez de estimar de cabeça, você vê o percentual real, e enxerga como o aluguel entra no total de quanto do seu salário já está comprometido antes do mês começar.
E como a decisão de alugar é sobre os próximos meses, não só sobre este, a projeção de doze meses mostra como esse compromisso se comporta ao longo do ano, antes de você assinar um contrato de trinta meses. Dá pra saber se o novo aluguel cabe no orçamento sem descobrir isso no susto da terceira fatura.
Aluguel não é uma despesa do mês, é uma decisão que se repete por anos. Vale a pena gastar uma tarde vendo o número real antes de assinar, e não depois.
Antes de fechar um aluguel, some aluguel, condomínio, IPTU e seguro num valor só e divida pela sua renda líquida. Passou de 30%, trate como sinal de alerta: negocie, procure outra opção ou reveja o resto do orçamento com os olhos abertos.
Perguntas frequentes
Quanto do salário devo gastar com aluguel?
A referência mais usada é até 30% da renda, contando aluguel, condomínio e IPTU juntos. É um ponto de partida seguro: acima disso, sobra pouco pra alimentação, transporte e para guardar dinheiro.
O aluguel se calcula sobre a renda bruta ou líquida?
Prefira a renda líquida, o valor que realmente cai na sua conta. Usar a renda bruta infla o teto com dinheiro que já foi pra imposto e descontos, e não está disponível pra pagar as contas.
O condomínio entra na conta dos 30%?
Sim. O teste dos 30% é sobre o custo total de morar, não só a linha do aluguel. Condomínio, IPTU e seguro incêndio contam, porque saem da sua conta todo mês do mesmo jeito.
E se o aluguel passar de 30% da renda?
Não é uma proibição, é um alerta. Dá pra assinar mesmo assim, desde que você corte de forma consciente em outra área e saiba que a margem pra imprevisto ficou menor. O risco é passar dos 30% sem perceber.