Financiamento imobiliário: SAC ou Price e o que pesa antes de assinar
Financiar imóvel se resolve numa escolha que passa batido: SAC ou Price. Em 2026, essa decisão pode significar mais de cem mil reais de diferença ao longo do contrato.

Comprar um imóvel financiado é, quase sempre, a maior decisão financeira da vida de alguém. E boa parte dela se resolve numa escolha que passa batido na hora de assinar: o sistema de amortização. Em 2026, com as taxas de financiamento imobiliário girando entre cerca de 10% e 12% ao ano mais TR nas linhas com recursos da poupança, essa escolha entre SAC e Price pode representar mais de cem mil reais de diferença ao longo de um contrato de trinta anos.
Não é detalhe de letra miúda. É a estrutura da dívida que você vai carregar por três décadas. Se você ainda está decidindo entre financiar e continuar no aluguel, vale primeiro ler comprar ou alugar um imóvel. Fechada essa conta, o próximo passo é entender o que está em jogo antes de a caneta encostar no papel.
SAC e Price: a diferença que muda a sua parcela
Todo financiamento longo é pago em parcelas que misturam duas coisas: a amortização (o pedaço que abate o que você deve) e os juros (o custo de ter pego o dinheiro emprestado). O que muda entre os dois sistemas é como essa mistura evolui ao longo do tempo.
SAC: a parcela começa alta e vai caindo
No SAC (Sistema de Amortização Constante), o valor que abate a dívida é o mesmo todo mês. Como o saldo devedor cai rápido, os juros sobre ele também caem, e a parcela vai diminuindo com o tempo. Você paga mais no começo e cada vez menos até o fim.
O efeito prático: como o saldo devedor encolhe mais depressa, o total de juros pagos ao longo do contrato é menor.
Price: a parcela é fixa do primeiro ao último mês
Na Tabela Price (o sistema francês), a parcela é sempre a mesma. No início, quase tudo o que você paga é juro, e só uma fatia pequena abate a dívida. Com o tempo essa proporção se inverte. A previsibilidade é a vantagem: você sabe exatamente quanto vai pagar do mês um ao mês 360. O custo é pagar mais juros no total, porque o saldo devedor demora mais para cair.
Qual das duas pesa menos no bolso
A resposta honesta é: depende do que aperta mais para você.
- Se o objetivo é pagar menos juros no total, o SAC leva. A amortização mais rápida corta o custo da dívida ao longo dos anos.
- Se o aperto é a parcela inicial, a Price alivia no começo. A primeira parcela do SAC costuma ser bem mais alta que a da Price para o mesmo valor financiado, e é essa parcela que o banco usa para checar se a sua renda comporta o financiamento.
Existe um caminho do meio que muita gente ignora: pegar a Price pela parcela menor e usar amortizações extraordinárias (com FGTS ou sobra de caixa) para abater o saldo devedor. Isso encurta o prazo e derruba os juros futuros, aproximando o custo da Price ao do SAC. Mas isso só funciona com disciplina para de fato amortizar, não com a intenção de amortizar.
Amortização extraordinária abate o saldo devedor, e você pode escolher reduzir o prazo ou reduzir o valor da parcela. Para economizar mais juros, reduzir o prazo costuma ser a opção que corta mais custo no longo prazo.
Não é só o juro: o CET e a entrada
A taxa que o banco anuncia na vitrine não é o custo real do financiamento. O número que importa é o CET (Custo Efetivo Total), que junta os juros nominais, a TR, os seguros obrigatórios (o seguro por morte ou invalidez e o seguro do imóvel) e as tarifas de administração. Dois financiamentos com a mesma taxa de juros podem ter CETs bem diferentes por causa desses adicionais. Compare sempre pelo CET, nunca só pela taxa.
E tem a entrada. O financiamento raramente cobre 100% do imóvel: os bancos costumam financiar de 70% a 80% do valor, o que exige uma entrada de 20% a 30% do próprio bolso. Além disso, a parcela não pode comprometer mais do que cerca de 30% da sua renda mensal, um limite que o próprio banco aplica na análise.
Esse teto de comprometimento é a peça que decide se o financiamento cabe. E é aqui que a conta costuma ser feita pela metade.
O ponto que quase ninguém calcula: quanto da sua renda já está comprometida
A maioria das pessoas olha só para a renda bruta e a parcela nova. Mas o que decide se o financiamento cabe é quanto da sua renda já está comprometido antes dele: assinaturas, parcelas de cartão, outros empréstimos, contas fixas. Uma parcela de imóvel que parece caber nos 30% pode estourar o orçamento porque os outros 30% já estavam ocupados sem você ter somado.
É exatamente essa foto que costuma ser difícil de montar quando o dinheiro está espalhado em vários bancos e cartões. No Optio, você conecta as suas contas por Open Finance e a detecção de recorrentes mapeia sozinha as cobranças fixas que já pesam no seu mês, sem você cadastrar uma a uma. Some a isso a projeção de doze meses, que mostra o compromisso lá na frente, não só o retrato do mês atual. Antes de assumir uma parcela que dura trinta anos, dá para ver com número real quanto da sua renda já está tomada e quanto sobra de verdade.
Depois de assinar, o valor não some do radar: a parcela entra como uma recorrente fixa, e você acompanha o peso dela no orçamento mês a mês, junto com o resto.
Perguntas frequentes
SAC ou Price: qual é melhor?
Não existe melhor no absoluto. O SAC paga menos juros no total e é indicado para quem aguenta uma parcela inicial mais alta. A Price tem parcela fixa e menor no começo, boa para quem precisa de previsibilidade ou de folga imediata no orçamento, aceitando pagar mais juros ao longo do contrato.
Qual a taxa de juros do financiamento imobiliário em 2026?
Nas linhas com recursos da poupança (SBPE), as taxas dos principais bancos em 2026 giram, em média, entre cerca de 10% e 12% ao ano mais TR, variando com o banco e o seu perfil. Linhas com FGTS e programas habitacionais costumam ter taxas menores. Confirme sempre a taxa e o CET na simulação do seu caso.
Quanto preciso dar de entrada?
Como os bancos financiam em geral de 70% a 80% do valor do imóvel, a entrada costuma ficar entre 20% e 30% do preço, saindo do seu bolso. Uma entrada maior reduz o valor financiado e, com ele, o total de juros.
Posso usar o FGTS no financiamento?
Sim, dentro das regras do fundo. O FGTS pode entrar na composição da entrada e também em amortizações ao longo do contrato, abatendo o saldo devedor e reduzindo prazo ou parcela. As condições de uso dependem do enquadramento do imóvel e do seu vínculo com o fundo.
Vale a pena amortizar o financiamento antes do prazo?
Na maioria dos casos, amortizar cedo no contrato ajuda, porque é quando a fatia de juros na parcela é maior, e reduzir o prazo é o que mais corta juros no total. Não é regra fixa: vale comparar, no seu caso, o custo do seu financiamento com o rendimento líquido de manter esse dinheiro investido, e simular antes de decidir. É um princípio de comparação, não uma recomendação de onde colocar o dinheiro.